Imagem: Orquestra da Ópera, Edgar Degas, 1870


«O valor da arte, como o da Via Mística, está nos seus efeitos. Se apenas dá prazer, por mais espiritual que o prazer seja, isso não tem grandes consequências, pelo menos maiores consequências que uma dúzia de ostras e uma garrafa de Montrachet. Se é uma consolação, ainda está bem; o Mundo está cheio de males inevitáveis e é bom que o homem disponha de algum retiro onde possa isolar-se de vez em quando; mas não para escapar-lhes, e antes para reunir novas forças a fim de os enfrentar. Porque a arte, se tem de ser considerada como um dos grandes valores da vida, deve ensinar aos homens humildade, tolerância, sabedoria e magnanimidade. O valor da arte não é a beleza, mas a acção justa.»


«Exame de Consciência», William Somerset Maugham.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Emily Sparks


«Where is my boy, my boy-                                                                                 
In what far part of the world?
The boy I loved best of all in the school?-
I, the teacher, the old maid, the virgin heart,                                      
Who made them all my children                                                                      
Did I know my boy aright,
Thinking of him as a spirit aflame,
Active, ever aspiring?                              
Oh, boy, for whom I  prayed and prayed
In many a watchful hour at night,                   
Do you remember the letter I wrote you
Of the beautiful love of Christ?                       
And whether you have took it or not,             
My boy, wherever you are,                           
Work for your soul's sake,                                       
That all the clay of you, all the dross of you,          
May yield to the fire of you,                                      
Till the fire is nothing but light!...                             
Nothing but light


«Onde está o meu rapaz, o meu rapaz -                                            
Em que longínqua parte do mundo?
O rapaz que mais amai entre todos na escola?-
Eu, a professora, a solteira velha, a virgem de coração,
Que fiz de todos eles meus filhos.
Terei conhecido bem o meu rapaz,
Supondo-o de espírito ardente,
Activo, aspiando sempre?
Ah, rapaz, por quem rezei e rezei
Em tantas horas de nocturna vigília,
Lembras-te da carta que te escrevi
Sobre o sublime amor de Cristo?
E, quer a tenhas ou não percebido,
Meu rapaz, onde quer que te encontres,
Trabalha pela salvação da tua alma,
Que todo o barro em ti, que todo o pior de ti
Possa ceder ao fogo que há em ti,
Até que o fogo seja nada senão luz!...
Nada senão luz!».


Spoon River Anthology, Edgar Lee Masters, 1915.
Tradução e sublinhado/itálico meus.

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